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A Casa Grande da categoria médica

14-01-2015

A corporação médica é denominada “classe”. Sociologicamente, é uma categoria na qual coexistem várias classes sociais que se diferenciam pelas rendas e pelas fontes de renda. Há médicos que vivem apenas de salários do Estado ou de empresas privadas, outros, de suas clínicas privadas, outros são proprietários de empresas de prestação de assistência à saúde e, mais recentemente, há médicos que são funcionários da administração de hospitais, de clínicas, de entidades representativas da categoria e também de empresas produtoras de medicamentos e/ou de equipamentos.

Em geral, a dimensão social das tecnociências é um subproduto nem sempre desejado pelo mercado, cujo objetivo principal – para não dizer único – é o lucro, e os dirigentes da categoria médica adotam práticas políticas conservadoras, cooptadoras das leis do mercado as quais representam as escolhas políticas e a ideologia da maioria dos médicos.

Na realidade, as elites médicas exercem um poder autocrático sobre uma minoria de profissionais que com elas não concordam e que não têm oportunidades de estabelecer um debate democrático com os colegas incrustados no poder administrativo, econômico e de divulgação midiática. Essas atitudes elitistas foram verificadas recentemente no debate sobre o programa Mais Médicos, aceito pela maioria absoluta da população, das prefeituras municipais de todos os partidos, da Opas e da ONU e rejeitado maciça e tenazmente por dirigentes da categoria.

A ausência de apoio e de sensibilidade para os efeitos sociais e humanísticos do referido programa alienou e desprestigiou nossa categoria perante a população. Os médicos com menores remunerações, por suas íntimas vivências pessoais com os setores mais pobres e carentes da população, são os que adquirem maior sensibilidade para os problemas sociais entre os quais as deficiências sanitárias, nutricionais, de moradia, e, por isso mesmo, são apoiadores do programa Mais Médicos.

As classes privilegiadas dos médicos, as com maiores remunerações, são exatamente as que se opõem vigorosamente ao referido programa, denotando uma ausência de identificação com os problemas sociais do povo do País ao qual pertencem e do qual receberam sua formação profissional, muitas vezes em estabelecimentos de ensino público, que, como se sabe, são mantidos com verbas do orçamento da Nação, que é criado pelo trabalho de todo o povo brasileiro. Enfim, chega-se à dolorosa conclusão que a Casa Grande Médica não toma conhecimento, não se sensibiliza e não se solidariza com os graves problemas da enorme e miserável Senzala brasileira.

 

Franklin Cunha

Médico

Veículo
Jornal do Comércio

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