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Miscigenação dificulta busca de brasileiros por um doador de medula óssea

Cadastro de doadores voluntários é composto por apenas 11,96% de negros e 13,30% de pardos

14-01-2015

Dez anos depois de o Brasil incrementar o banco de doadores voluntários passando dos 3 milhões de pessoas engajadas na causa, a busca por um alguém capaz de salvar a vida com alguns mililitros de sangue ainda não foi resolvida. Hoje, a chance de encontrar alguém compatível é de 0,001%. Ou seja, uma pessoa a cada 100 mil acham esse doador no Brasil.

Encontrar um par perfeito, aquela pessoa que tem o sistema imunológico igualzinho ao do paciente é uma tarefa bastante desigual. Segundo a médica Belinda Pinto Simões, responsável pela unidade de transplante do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o Brasil é muito peculiar devido à grande miscigenação — mistura de raças —, o que dificulta ainda mais a busca por um par perfeito. No cadastro, a maioria é de pessoas brancas, representando 44,18%.

— Precisamos que mais pessoas negras, pardas e indígenas se sensibilizem e se cadastrem — disse Belinda.

Segundo constatou o diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do INCA, Luis Fernando Bouzas, em sua tese de doutorado, em países com uma maior uniformidade populacional, como a Alemanha e o Japão, é possível encontrar um doador para os nativos, quando o registro alcança um milhão de doadores, para 85 a 90% dos receptores.

Ana Luiza Cunha da Costa, seis anos, viveu este drama. Quando foi diagnosticada com aplasia medular, há três anos, não encontrou ninguém compatível entre os familiares nem no banco de voluntários. Foi aí que os pais Gerciani Cunha da Costa, 39 anos, e Alex Gularte da Costa, 46 anos, decidiram gerar um bebê para salvá-la. Antônia foi selecionada geneticamente em laboratório para ser 100% compatível com a irmã e há cinco meses, depois de completar um ano de vida, emprestou um pouco da sua para recuperar a de Ana Luiza. 

ZH acompanhou quase 10 meses da luta da família de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e publica na sexta-feira um webdocumentário e um site especial falando da importância de se tornar um doador de medula óssea.
— É uma benção poder salvar a vida de uma pessoa estando vivo só com um pouquinho de sangue. É um procedimento tão simples, mas que faz uma diferença e tanto para muita gente — exclama Gerciani.

Apesar de o Brasil ocupar a 3º posição em números absolutos de doadores cadastrados, conforme dados do Bone Marrow donors Worldwide (BMDW), rede mundial de doadores de medula, se for calculado o percentual da população, apenas 1,66% dos brasileiros estão disponíveis para salvar uma vida em vida. 

Mas não basta a empolgação. O doador precisa entender o significado que ingressar no banco de doadores voluntários representa. A chefe do Serviço de Hematologia Clínica e Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Liane Daudt, afirma que um dos problemas do cadastro brasileiro é a falta de comprometimento do doador voluntário de medula óssea.

— Não tem nada mais frustrante para a equipe e para o paciente do que identificar um doador e não conseguir contatá-lo por falta de dados cadastrais — lamentou Liane.

A estimativa da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea é de que entre 30 a 40% dos voluntários não mantém os dados atualizados.

Preste atenção!

Mais grave do que a falta de diversidade étnica de doadores é a falta de leitos para realizar os transplantes. O assunto será apresentado nesta quinta-feira, no segundo dia da série de reportagens sobre transplante de medula óssea.

Veículo
Zero Hora

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