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Saúde - Máfia das próteses

“Ações pareciam em série", diz procuradora

07-01-2015

Ofensiva detectou processos suspeitos ao longo do ano passado. Fraude envolvia cirurgias requisitadas judicialmente por meio da falsificação de documentos e de orçamentos superfaturados, como denunciado em reportagem do Fantástico
Sob o comando da procuradora Fabrícia Boscaini, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) desencadeou uma ofensiva contra um mal que corrói as finanças estaduais há anos. Ao longo de 2014, Fabrícia e um grupo de colegas identificaram 65 ações judiciais suspeitas, que tentavam obter recursos superiores a R$ 6,5 milhões do Estado para cirurgias emergenciais de coluna. Os procedimentos, que agora serão investigados pela Polícia Civil, envolviam a colocação de próteses.

Ontem, a procuradora recebeu ZH na sede do órgão, na Capital, e falou sobre o trabalho. Disse que o total de casos ainda é desconhecido, assim como o impacto das supostas irregularidades nos cofres públicos. Mas citou caso em que o gasto com material cirúrgico foi 95% menor do que o orçamento incluído no processo contra o Estado.

– De 2013 para cá, passamos a perceber aumento nos valores orçados em petições. A partir daí, ampliamos o controle e fechamos o cerco – disse Fabrícia.

A seguir, leia os principais trechos da entrevista e confira os detalhes da investigação.

A INVESTIGAÇÃO
Os procuradores começaram a suspeitar da fraude ao longo do último ano, quando o Estado e o Instituto de Previdência (IPE) foram alvo de dezenas de açõesjudiciais semelhantes, uma atrásda outra. Os processos envolviam demandas por cirurgias de coluna:
– As ações pareciam serproduzidas em série, o que na saúde é estranho, porque cada paciente tem uma peculiaridade. Isso nos alertou. Não trabalhamos só para impedir tentativas de superfaturamento e prejuízos ao erário, mas para evitar que pessoas sejam lesadas e melhorar o SUS.

APENAS O COMEÇO
Para a procuradora, as suspeitas são só “a ponta de um iceberg”. Em 2012, o caso de uma moradora de Porto Alegre de 72 anos alertou sobre a discrepância dos valores demandados judicialmente. Para uma cirurgia de coluna, a ação ajuizada contra o Estado pedia R$ 131,4 mil em material. Como a decisão demorou, a própria paciente informou, meses depois, ter optado pagar o procedimento. E o custo do material não passou de R$ 6,3 mil. 

ORIGEM SUSPEITA
Foram identificadas 65 ações suspeitas – 34 ajuizadas contra o Estado e 31 contra o IPE. Todas tinham laudos médicos parecidos, assinados pelos mesmos profissionais, e partiam de dois escritórios de advocacia. Os orçamentos dos materiais cirúrgicos eram das mesmas fornecedoras de próteses, acima de R$ 100 mil. Das 65 ações, a maioria foi na Capital (18), em Canoas (14) e em Gravataí (11).

"Os advogados sustentavam que os casos eram graves, mas, quando a Justiça negava liminar, não recorriam. Isso nos assustou. O que
acontecia com esses pacientes? A maioria ficava no limbo."

CIRURGIA CARA
Entre as ações com valor mais elevado está a de uma jovem de 19 anos, moradora de Gravataí, diagnosticada com uma lesão na coluna. No processo, o advogado da paciente apresentou orçamento de R$ 311,4 mil ao Estado, só em material cirúrgico.
Ao avaliar o processo, o Tribunal de Justiça determinou que o procedimento deveria ser feito pelo SUS. O caso está sendo acompanhado pela procuradoria. – Valores como esse chamaram muito a nossa atenção. Não somos especialistas em cirurgia de coluna e não podemos afirmar que os profissionais envolvidos agiram de forma fraudulenta, porque isso cabe à investigação da polícia, mas não pareceu possível um procedimento custar tão caro. Era gritante – enfatiza Fabrícia.

CASO A CASO
A Procuradoria-Geral do Estado encaminhou as suspeitas para a Polícia Civil no fim de 2014. Agora, os agentes irão investigar cada um dos 65 casos. Se as irregularidades forem confirmadas, os responsáveis responderão na Justiça:
– Nosso objetivo, a partir de agora, é resgatar todos os processos e, com a ajuda da Secretaria Estadual da Saúde, verificar a situação dos pacientes. Queremos garantir que eles não fiquem sem atendimento. Ela também destaca que a meta é fazer um trabalho de conscientização no Judiciário para que juízes não aceitem mais ações fundamentadas apenas no laudo do médico do paciente: – É fundamental exigir uma
segunda opinião.

"Casos assim vêm ocorrendo há anos. Não sabemos precisar quantos envolveram fraude nem qual é o tamanho do impacto nos cofres públicos, mas muitos não foram adiante porque o Judiciário percebeu que havia algo errado."

INSISTÊNCIA
Fabrícia lembra que o Estado às vezes é acusado de “emperrar” demandas na saúde. E desabafa: – Infelizmente, ainda há uma visão de que o Estado só quer emperrar a vida das pessoas. Não é isso que queremos. Muita gente está sendo lesada, não pelo Estado, por não prestar
atendimento, mas pelo outro lado. É frustrante quando a gente tenta, tenta, tenta e não tem um resultado positivo, mas o fato de sermos ouvidos e de essa verdade vir à tona é muito importante.

Veículo
Zero Hora

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