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Pesquisa pode auxiliar no estudo dos distúrbios no sono

Estudo revela que além das estruturas nervosas envolvidas na percepção do dia e da noite, há um grupo de genes que está diretamente envolvido neste processo

10-10-2014

Os estudos do grupo liderado pelo pesquisador têm mostrado que os horários de dormir e acordar das pessoas são mais influenciados pelo padrão temporal dia/noite do que pelas horas no relógio, ou seja, os horários de dormir e acordar podem estar em desacordo com o fuso horário. Pessoas que vivem num mesmo fuso horário, mas estão em latitudes e longitudes diferentes, expressam temporalidades biológicas diferentes. “Podemos citar como exemplo a população no Rio Grande do Norte, que tende a acordar e dormir mais cedo do que a do Rio Grande do Sul, vivendo sob o mesmo horário do relógio, ou seja, no mesmo fuso horário”.

Genes relógio

A pesquisa revela que além das estruturas nervosas envolvidas na percepção do dia e da noite, há um grupo de genes que está diretamente envolvido neste processo, são os chamados genes relógio, entre os quais se encontra o gene Per3, objeto da presente pesquisa.

Para Pedrazzoli, a diurnalidade é uma característica dos primatas. “O fato de encontrarmos uma estrutura gênica em um gene comprovadamente associado à regulação do sono, logicamente nos faz pensar que existe essa relação entre diurnalidade e genética”, explica. Durante a pesquisa, que durou mais de quatro anos (2008 a 2012), foram estudados diversos primatas, cerca de 13 espécies, que vivem na floresta amazônica. Segundo Pedrazzoli, o comportamento diurno ou não dos primatas é conhecido a partir de outros estudos.

Os animais foram observados no Zoo de São Paulo, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araçatuba, e no Centro Nacional de Primatas no Pará.

O material para análise do DNA dos animais foi coletado das espécies primatas na Amazonia, no Zoo e em Araçatuba.

De acordo com o pesquisador, nós herdamos de nossos ancestrais estes genes que foram alvo de seleção natural e estão envolvidos no processo de adaptação ao claro/escuro ambiental. Segundo o professor Pedrazzoli, “os genes funcionam como uma alça de retroalimentação que estimula e inibe processos metabólicos nas células”.

A pesquisa coordenada pelo professor da EACH pode servir de subsídio para a medicina preventiva em pacientes que sofrem de distúrbios do sono.

Veículo
SIS Saúde

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