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Jogo ´´Baleia Azul´´: os alertas que não devemos ignorar

Fique atento e faça sua parte com responsabilidade

15-05-2017

Há algumas semanas vêm sendo noticiado na mídia e nas redes sociais informações sobre um jogo ameaçador à vida denominado “Baleia Azul”. Trata-se de um game, composto por 50 desafios, que teria sido criado por um adolescente russo. Independente dos detalhes relativos à sua origem, consiste num jogo real, que tem atraído crianças e adolescentes do mundo inteiro e levado à morte alguns de seus inúmeros jogadores.  Concomitante à disseminação do jogo no Brasil, houve o lançamento de uma série intitulada “13 Reasons Why”, que consiste na história de uma adolescente que, ao cometer suicídio, prepara uma série de fitas com os treze motivos que a levaram a tirar a própria vida. A protagonista, uma adolescente de classe média nos EUA, aparentemente, teria uma vida tranquila e “normal”.

Com esse cenário, iniciou-se uma discussão importantíssima no Brasil – e no mundo – sobre o suicídio na adolescência, tema sobre o qual existe grande tabu e distorções em sua abordagem. E, esses meios pelo qual a temática veio à tona são igualmente distorcidos. Tanto o jogo quanto a série de televisão apontam para o suicídio como a única forma de resolver os problemas da vida e a experiência de um grande sofrimento.

O fato é que dar fim à própria vida não resolve tudo. Se pensarmos no grande número de pessoas que sofre ou já sofreu intensamente, mas encontrou outras maneiras de lidar com sua dor, entenderemos que sempre há uma luz no fim do túnel.

A adolescência é o momento em que encontramos os mais diversos desafios da vida, pois há desenvolvimento em todos os âmbitos - físico, mental, psicológico e social. Esse é o período marcado pela autodescoberta, pela diferenciação daquilo que é o desejo dos pais e cuidadores, em relação àquilo que o adolescente entende ser importante para si. Tudo é muito intenso e o senso de urgência é constante.

O adolescente busca pertencer a algum grupo de iguais, que possa compreendê-lo verdadeiramente. Existe uma busca incessante por aceitação, associada ao imediatismo: alívio imediato da dor, busca pelo prazer, grande intolerância a tudo que o contrarie.

E o adolescente se questiona o tempo todo. Faz parte da vida questionarmos a vida, isso é saudável. O problema é quando questionamos a vida no sentido de sua continuidade, como se a solução para nossos sofrimentos fosse dar fim à nossa existência. E isso é o que está presente no suicídio. Recorre-se a um método definitivo para um problema temporário. Quem sofre entende que tudo é permanente, que não haverá solução a não ser “sumir”, “desaparecer”.

Esse sofrimento intenso está associado à desesperança, que é uma das marcas da depressão e da ansiedade. Sentimentos de desvalia, de inutilidade, ou de um problema intransponível fazem o ser humano vivenciar dores emocionais que beiram o insuportável. É nesses casos que o risco de suicídio aparece de forma concreta.

O risco entre adolescentes requer cuidados especiais, porque os sintomas do sofrimento extremo podem ser confundidos com as características que fazem parte desta etapa do ciclo vital. Exemplos disso são: afastamento afetivo dos pais, longa permanência no quarto, irritabilidade, uso constante de tecnologias, redes sociais, jogos e afins.

Sendo assim, o que diferencia os filhos que estão vivendo a adolescência “normal” daqueles que estão em risco? A intensidade desses sintomas. Permanecer no quarto por longos períodos pode ser normal. Mas, é necessário que o adolescente saia para fazer as refeições, tomar banho, estudar e conviver com a família e amigos pelo menos em alguns momentos. Os pais precisam supervisionar os conteúdos acessados pelos filhos, acompanhar suas postagens nas redes sociais, saber onde seus filhos estão e com quem estão se relacionando. É vital que os pais e/ou cuidadores demonstrem interesse genuíno pelo adolescente, sem, no entanto, invadir seu espaço. Não há receita exata para isso. Cada relação interpessoal tem características próprias que somente a intimidade permite conhecer.

A dica para os pais e/ou cuidadores é: procurem conhecer seus filhos, ter ao menos ideia do momento que estão vivendo. Procurem escutá-los sem julgamento moral. Validem seu sofrimento, lembrando das dores que fizeram parte de sua adolescência. Mesmo que em outra época, quando nos conectamos com nossas experiências emocionais, tendemos a ser mais empáticos.

Quanto ao jogo? Ele leva à morte, sim! Converse sobre isso com seu filho, sempre mostrando outras soluções mais saudáveis para resolver seus problemas. E, quanto à série, ela apresenta uma visão distorcida, sem crítica, uma vez que se trata da opinião de uma pessoa que já cometeu suicídio. Portanto, ela mostra alguém que não encontrou ajuda e não via outra saída para lidar com sua dor extrema. Por essa razão, não está indicado para adolescentes, que são vulneráveis por natureza, assistir à série sem supervisão de um adulto disposto a discutir a temática.

A dor emocional existe, é disseminada no mundo. Todos os seres humanos, de todas as idades estão suscetíveis a passar por momentos de intenso sofrimento. Se for seu caso, de seu filho, neto, familiar, amigo ou conhecido, procure auxílio. Profissionais extremamente qualificados estão prontos para lhes ajudar. Peça ajuda a um psicólogo, psiquiatra ou médico. Sua dor tem solução! Você não está sozinho.

Vale lembrar que existe um movimento em oposição à “baleia azul”, a “baleia rosa”. A ideia é promover altruísmo, gratidão e reafirmar o valor da vida! Fique atento e faça sua parte com responsabilidade.  

Bárbara S. Rech

Psicóloga coordenadora do Serviço de Psicologia do HED
Especialista em Psicologia Hospitalar pela SBPH
Especialista em Terapia Familiar e de Casal pelo INFAPA
Mestre em Psicologia pela UFRGS
Especializanda em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo InTCC

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